Respostas para as dúvidas mais comuns
Respostas diretas, baseadas em literatura médica, para as perguntas que mais aparecem em consultório, consultas e mensagens.
01 Sobre o site e o autor
Quem é o Dr. Bruno Carderelli?
Sou Cirurgião Geral (CRM-PR 45.417, RQE 36.062) e Médico Residente em Urologia em Arapongas-PR, no Norte do Paraná. Este site é um espaço de educação médica, onde escrevo sobre saúde do homem, urologia e prevenção, com base em literatura científica e em conformidade com o Código de Ética Médica.
O conteúdo deste site substitui consulta médica?
Não. Todo o conteúdo aqui publicado tem caráter exclusivamente educativo e informativo. Diagnósticos e tratamentos exigem avaliação clínica presencial com um médico habilitado. O objetivo é informar e preparar você para conversas mais qualificadas com seu médico — não substituir a consulta.
Vocês atendem pacientes pelo site?
Não. O site é exclusivamente educativo. Não realizo consultas, diagnósticos ou prescrições por meios digitais. Para atendimento médico, procure um urologista da sua cidade ou região.
02 Saúde da próstata
A partir de que idade fazer exame de próstata?
A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda iniciar o rastreamento com PSA e toque retal aos 50 anos para a maioria dos homens. Para homens negros ou com histórico familiar de câncer de próstata em parente de primeiro grau (pai, irmão), o rastreamento começa aos 45 anos. A periodicidade é anual.
Toque retal ainda é necessário com PSA?
Sim. Apesar das evoluções no PSA e em exames de imagem, o toque retal continua fazendo parte do rastreamento, pois detecta tumores que o PSA pode não capturar. As principais sociedades urológicas internacionais (AUA, EAU, SBU) recomendam a combinação de PSA + toque retal.
PSA alto sempre significa câncer?
Não. O PSA pode estar elevado por várias razões além do câncer: hiperplasia prostática benigna (próstata aumentada), prostatite (inflamação), infecção urinária, atividade sexual recente, andar de bicicleta nas 48h antes do exame. Por isso, valores alterados precisam ser interpretados em contexto, frequentemente com exames complementares.
03 Vasectomia
Vasectomia causa impotência ou diminui o desejo sexual?
Não. A vasectomia interrompe apenas a passagem dos espermatozoides pelos canais deferentes, sem interferir na produção de testosterona, ereção, ejaculação ou orgasmo. O volume do sêmen permanece praticamente igual.
É possível reverter a vasectomia?
Sim, mas a reversão é uma cirurgia mais complexa, com taxa de sucesso variável (40-90% para retorno de espermatozoides ao sêmen, e taxas menores de gravidez efetiva). Por isso a vasectomia deve ser considerada um método definitivo.
Quem pode fazer vasectomia pelo SUS?
A Lei 14.443/2022 atualizou as regras: homens maiores de 21 anos OU com pelo menos 2 filhos vivos podem fazer vasectomia pelo SUS, desde que assinem termo de consentimento e respeitem o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o procedimento.
04 Cálculo renal
Como saber se tenho pedra nos rins?
Os sintomas mais comuns são: dor súbita e intensa nas costas ou no flanco, irradiando para a virilha; sangue na urina; náuseas e vômitos; vontade frequente de urinar com queimação. Em casos de febre associada, é necessário atendimento de emergência. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem (ultrassom ou tomografia).
Beber muita água realmente previne pedra nos rins?
Sim. A hidratação é a estratégia preventiva mais eficaz. A meta é manter volume urinário acima de 2 litros por dia, o que geralmente exige ingestão de 2,5 a 3 litros de água. Em climas quentes como Arapongas, a necessidade aumenta proporcionalmente à transpiração.
Quem tem pedra nos rins precisa cortar cálcio da dieta?
Não. Esse é um mito antigo. Estudos mostram que dietas pobres em cálcio aumentam o risco de cálculo, porque o cálcio dietético se liga ao oxalato no intestino e impede sua absorção. A orientação atual é manter cálcio normal vindo de alimentos (1.000-1.200 mg/dia) — apenas evitar suplementos isolados sem indicação médica.
05 Saúde sexual masculina
Disfunção erétil é problema do sistema cardiovascular?
Frequentemente, sim. A ereção depende de circulação adequada do sangue para o pênis. Disfunção erétil de causa vascular é, com frequência, um sinal precoce de doença cardiovascular sistêmica — pode preceder em anos um infarto ou AVC. Por isso, todo paciente com disfunção erétil deve ter avaliação cardiovascular completa.
Andropausa existe mesmo?
O termo 'andropausa' não é tecnicamente correto. O nome adequado é 'declínio androgênico do envelhecimento' (DAEM), uma queda gradual e progressiva da testosterona com a idade. Diferente da menopausa feminina, é um processo lento. Apenas alguns homens desenvolvem hipogonadismo com sintomas relevantes que justifiquem reposição. A indicação requer avaliação clínica e laboratorial criteriosa.
Ejaculação precoce tem tratamento?
Sim. Existem várias abordagens eficazes: técnicas comportamentais (parar-pressionar, parar-iniciar), terapia psicológica/sexológica, medicações específicas (IRSS de uso sob demanda ou contínuo) e anestésicos tópicos. O tratamento depende do tipo de ejaculação precoce (primária ou adquirida) e do contexto do paciente.